Articulação de Agroecologia da Costa Verde marca presença no IV ENA

Entre os dias 31 de maio e 03 de junho, aconteceu em Belo Horizonte (MG) o IV Encontro Nacional de Agroecologia (IV ENA). Com o tema “Agroecologia e democracia: unindo o campo e a cidade”, o encontro teve como proposta mostrar à sociedade que a agroecologia é hoje uma alternativa consistente de produção de alimentos, capaz de organizar arranjos de produção, abastecimento e consumo enraizados nos territórios, em suas tradições e com respeito à natureza. Com a participação de mais de 2500 pessoas, o ENA mostrou, mais uma vez, a diversidade como princípio norteador da agroecologia, exibindo à sociedade um retrato diversificado do que as experiências agroecológicas constroem a partir de seus territórios pelo Brasil a fora.

Nesse sentido, cabe destacar que, dentre os participantes, 70% eram agricultores e agricultoras familiares, camponeses, povos indígenas, comunidades quilombolas, caiçaras, pescadores, movimentos sociais, assentados da reforma agrária e coletivos da agricultura urbana. Além disso, 50% eram mulheres e 30% jovens, mostrando também a conexão intrínseca do movimento agroecológico com a construção do feminismo e com a formação da juventude. A frase sem feminismo não há agroecologia, por exemplo, foi repetida com muita força e por diversas vezes pelas mulheres e também pelos homens participantes das atividades.

 

Plenária das Mulheres, 1º dia do IV ENA.

 

Durante o Encontro, ocorreram diversas manifestações culturais e políticas das representações dos territórios que trouxeram suas vestimentas, danças, alimentos e os costumes típicos de cada povo, fazendo do evento um grande momento de comunhão e harmonia entre culturas. O evento foi marcado fortemente pela luta dos camponeses e camponesas que batalham diariamente pelo fortalecimento da agroecologia, enfrentando o machismo, o agronegócio, os grandes empreendimentos, a especulação fundiária e outras várias formas de opressão que constrangem a prática da agroecologia nos territórios.

Para além das denúncias, o IV ENA teve também o objetivo de evidenciar para os demais setores da sociedade brasileira as práticas agroecológicas existentes em todos os cantos do país, além de marcar posicionamento político e estreitar os laços entre as redes de articulação de agroecologia. Com diversas atividades acontecendo simultaneamente, os territórios tiveram espaços para expor não só suas as denúncias, mas também as boas novas, os anúncios e as construções políticas que fazem, em cada território, a agroecologia ser uma realidade. Práticas de produção sem veneno, redes de abastecimento e comercialização, novos arranjos de políticas públicas, grupos de jovens e mulheres, redes de agricultura urbana e consumo solidário, são todos exemplos de anúncios e conquistas que a agroecologia vem oferecendo à sociedade através de estratégias sustentáveis, não só para a produção e o consumo de alimentos, mas também como alternativa de desenvolvimento dos territórios a partir da força popular criativa, que emerge de novas conexões entre urbano e rural.

A Articulação de Agroecologia da Costa Verde, que compõe a Articulação de Agroecologia do Rio de Janeiro (AARJ) esteve muito bem representada no IV ENA, com 40 participantes. Compuseram a delegação representantes das comunidades quilombolas (Quilombo do Campinho – Paraty, Quilombo de Santa Rita do Bracuí – Angra dos Reis, Quilombo da Fazenda – Ubatuba), das comunidades indígenas (Aldeia Guarani Mbya de Paraty Mirim – Paraty) das comunidades caiçaras (São Gonçalo – Paraty) e da agricultura camponesa (Forquilha, Patrimônio e Barra Grande – Paraty), além das entidades de apoio e assessoria, como o Observatório de Territórios Saudáveis e Sustentáveis (OTSS/FIOCRUZ), o Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT), a EMATER, a Secretaria de Agricultura de Mangaratiba, a Sociedade Angrense de Proteção Ecológica (SAPÊ) e o Instituto de Educação de Angra dos Reis, da Universidade Federal Fluminense (IEAR/UFF).

 

Delegação Articulação de Agroecologia da Costa Verde (AARJ Costa Verde)

 

Os representantes da Costa Verde tiveram a oportunidade de apresentar os dilemas e impasses sofridos pelo território e as características marcantes da agroecologia construída pelas comunidades tradicionais. No espaço destinado à “Tenda Litoral” a Costa Verde se somou a muitos outros territórios na organização de Instalações Pedagógicas, onde foram apresentados os elementos que representam cada experiência. A juçara, o tambor quilombola, a pesca caiçara, o Turismo de Base Comunitária e as raizes e frutos que caracterizam a agricultura camponesa da Costa Verde fizeram parte do processo de apresentação do nosso território ao público que interagiu neste ambiente pedagógico.

Para além de permitir um importante espaço de troca de experiências, o IV ENA contribuiu de maneira importante para o fortalecimento das relações e dos vínculos entre os representantes da Articulação de Agroecologia da Costa Verde. Diante o contexto político adverso, a realização do ENA se fez como um renovar de esperanças, dando energia para que a agroecologia possa, cada vez mais, mostrar todo o seu potencial de articulação de resistências, contribuindo para a construção do bem-viver nos nossos territórios.

 

Acesse aqui a Carta Política do IV Encontro Nacional de Agroecologia

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